Semáforo inteligente desenvolvido pela USP ajusta tempo de travessia de pedestres e é testado há um ano
Semáforo inteligente desenvolvido pela USP ajusta tempo de travessia de pedestres Quem circula pela capital paulista a pé já enfrentou uma situação comum: o tempo permitido pelo semáforo para atravessar a rua muitas vezes não é suficiente para chegar ao outro lado. A dificuldade aumenta o risco de acidentes. No primeiro semestre deste ano, 190 pedestres morreram atropelados na cidade de São Paulo. Para tentar enfrentar o problema, pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveram um semáforo inteligente para pedestres. A tecnologia está em testes há um ano e poderá, no futuro, ser aplicada em cruzamentos da capital. No cruzamento das avenidas Rebouças e Oscar Freire, na Zona Oeste, a travessia exige atenção dos pedestres. Segundo relato de quem passa pelo local, muitas vezes é preciso correr para conseguir atravessar antes de o sinal fechar. No local, o tempo destinado aos motoristas é seis vezes maior que o reservado aos pedestres. O sinal verde para os veículos permanece aberto por um minuto e meio, enquanto o tempo para atravessar a pé é de 15 segundos. A solução para tornar essa dinâmica mais equilibrada foi desenvolvida por pesquisadores das áreas de Engenharia Elétrica e de Transportes da USP. O sistema utiliza visão computacional para monitorar o fluxo de pedestres e veículos e ajustar automaticamente os tempos dos semáforos. Segundo a professora de Engenharia Eletrônica da USP Laisa de Biase, o equipamento conta com câmeras que verificam quantas pessoas e quantos carros aguardam para atravessar ou passar pelo cruzamento, além do tempo de espera de cada um. "O que ela usa, principalmente, é a visão computacional. Então a gente tem câmeras que vão verificar quantas pessoas estão esperando, quantos carros, há quanto tempo elas estão esperando, o tempo de espera para fazer a abertura e fechamento dos semáforos. Mas ela também tem outras funções. Ela avisa quando o semáforo está com problema, vê temperatura, umidade, para fazer uma manutenção, por exemplo", afirma. O único semáforo inteligente para pedestres em testes na capital está instalado em uma faixa em frente ao Hospital Universitário da USP. Apesar de parecer um equipamento convencional, o sistema possui câmeras voltadas para pedestres e veículos, que enviam informações sobre o fluxo no local. Com esses dados, o equipamento calcula o tempo mais adequado para a travessia dos pedestres e recalibra o período em que o sinal permanece aberto ou fechado para os carros. Para o professor do Departamento de Engenharia de Transportes da USP, Claudio Marte, a impaciência dos pedestres representa um dos principais desafios da mobilidade urbana. "O cara que está dentro do carro pode até xingar e ficar bravo, mas não tem muito o que fazer. O passageiro também não tem muito o que fazer. Mas o pedestre acaba perdendo a paciência e atravessando no meio do tráfego. Esse é o problema. Com certeza a gente não consegue acomodar todos os interesses. A gente tem que caminhar para uma cidade que seja caminhável e que, se você quiser se deslocar pela cidade, que seja por transporte público. Eu não vejo outra solução", diz Marte. Em janeiro deste ano, o SP2 mostrou que quase metade dos semáforos da cidade ficam abertos por apenas cinco segundos para a travessia de pedestres, segundo levantamento do Instituto Corrida Amiga. Agora, um novo levantamento aponta que a região central concentra o dobro de semáforos para pedestres em comparação com os bairros mais afastados, embora mais de 80% das viagens a pé aconteçam fora do centro expandido. Para a diretora do Instituto Corrida Amiga, Silvia Stuchi, caminhar é a forma de deslocamento mais utilizada pela população e precisa ser considerada no planejamento da cidade. "Caminhar, andar a pé, é o meio mais primordial de deslocamento da população. Segundo a Pesquisa de Origem e Destino, é o meio mais praticado. Se você está de ônibus, de metrô, de bicicleta, existe a caminhada inicial ou final. Então, quando a gente não olha para toda a população, escancara essas desigualdades de infraestrutura, de segurança pública e de segurança viária. A gente precisa garantir, sim, o direito de ir e vir de toda a população", afirma. A Prefeitura de São Paulo informou que fará uma visita técnica ao cruzamento das avenidas Rebouças e Oscar Freire e que estuda um convênio com a USP sobre as possíveis aplicações do projeto. A administração municipal afirmou ainda que a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) planeja e instala semáforos para pedestres na cidade com base em critérios técnicos, considerando o volume de travessias, o tempo de espera, o histórico de sinistros e as características de cada via. Capital paulista registra 190 mortes por atropelamento no primeiro semestre. Reprodução/TV Globo
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